Os restaurantes tradicionais são parte essencial da autêntica cultura gastronómica austríaca.
O “St. Peter Stiftskeller”, em Salzburgo, reivindica o prestigiado título de restaurante mais antigo da Europa, talvez até do mundo. A história do “Stiftskulinarium”, como é conhecido atualmente, reflete a evolução da gastronomia ao longo do tempo. Este espaço não representa apenas uma instituição cultural, mas está também profundamente ligado ao progresso social.
Está historicamente documentado que a adega recebeu autorização oficial para servir cerveja em 1803 e que, nessa altura, já se tinha estabelecido como um bar de vinhos onde apenas era servido vinho produzido pelos monges. Pergunto-me se já existiriam menus e cartas de bebidas nessa época.
O “Stiftskulinarium” disputa o título de restaurante mais antigo com outros estabelecimentos, entre eles o “Röhrl”, em Eilsbrunn, na Alemanha, que é gerido pela mesma família desde 1638.
A cozinha originalmente simples do St. Peter Stiftskeller evoluiu para se tornar um ponto de encontro para apreciadores de boa gastronomia. Para além de pratos tradicionais como carne de vaca cozida e goulash de vitela com molho cremoso, os clientes podem agora encontrar também pratos mais sofisticados, como salmão Ikarimi ou “Vitello Garnelo”, nos menus em madeira.

O jardim do restaurante oferece sombra
A cultura das tabernas, outrora florescente, enfrenta hoje vários desafios: mudanças sociais, alterações na mobilidade e nos hábitos alimentares, limites ao consumo de álcool e a proibição de fumar estão a exercer pressão sobre este setor.
Conceitos modernos de gastronomia e cozinhas internacionais competem com os restaurantes tradicionais, o que tem levado a uma diminuição do investimento, da inovação e, consequentemente, do número de clientes. Como resultado, o número destes estabelecimentos tem vindo a diminuir continuamente.
A virtude da hospitalidade
No entanto, a função original destes estabelecimentos, oferecer alojamento e refeições aos viajantes (como seriam as pastas de hotel naquela época?) e servir como locais de hospitalidade e convívio, continua a ser uma tradição que vale a pena preservar.
Pessoas de todas as origens, desde grandes agricultores até presidentes de câmara, reuniam-se na mesa habitual dos clientes e tomavam decisões de importância política. Estes restaurantes tornaram-se pontos centrais de encontro social nas zonas rurais, onde clubes e equipas se reuniam.
A sensação de estar “em casa” no restaurante ilustra o forte espírito de comunidade. O proprietário, figura central destes encontros, cultiva a hospitalidade e gere o seu negócio com charme e experiência. Muitos destes restaurantes, frequentemente geridos pela mesma família ao longo de gerações, enfrentam hoje o problema da falta de sucessão.
O menu é muitas vezes o elemento central de um restaurante e define o seu carácter através da seleção de clássicos da cozinha austríaca preparados com excelência.
Sopa, schnitzel, cerveja
Certos pratos são essenciais nos menus destes restaurantes tradicionais: uma excelente sopa de carne, schnitzel, miudezas, pratos típicos com pimento, como goulash ou frango com paprika, e o assado de domingo, sempre preparado na hora. Uma boa seleção é mais importante do que um menu extenso que tente incluir o prato favorito de cada cliente.
A autêntica cozinha austríaca, que exige muito trabalho e mestria, está a tornar-se cada vez mais rara. Além disso, os preços num restaurante tradicional têm de ser acessíveis a todos. Esta exigência aumenta a pressão sobre os restauradores, de forma semelhante ao que acontece com os cafés vienenses, onde o modelo financeiro do passado já não é sustentável.
Para além dos pratos típicos, e também das cartas de bebidas, o núcleo da cultura das tabernas austríacas inclui ainda a cultura do pão, muitas vezes negligenciada, e uma forte tradição cervejeira. Uma taberna tradicional caracteriza-se por uma seleção de cervejas premium austríacas de alta qualidade, tiradas com cuidado e servidas com uma espuma apelativa. As cartas de vinhos também são indispensáveis.
Todos sabem receber bem
As tradições da cultura das tabernas austríacas continuam bem vivas em cidades e comunidades por todo o país. Muitos proprietários, profundamente ligados à sua região, podem não se tornar conhecidos em todo o lado, mas alguns acabam por se tornar verdadeiras instituições. O proprietário Christian Grünauer, por exemplo, dá grande importância a servir no “Grünauer” pratos que correspondam ao seu próprio gosto, o que faz dele um verdadeiro anfitrião.
Antigamente conhecido como um bar de sopas com a pista de bowling mais antiga de Viena e uma churrasqueira de frango, o ambiente histórico do “Appiano” foi preservado apesar da mudança de utilização. O proprietário Hannes Pruscha oferece aos clientes habituais clássicos autênticos como frango frito, bolinhos Grammelknödel e Powidltascherl, num ambiente familiar.
O restaurante “Zur Sonne”, em Tulln, também oferece cozinha tradicional e autêntica. Na Alta Áustria, o “Keplingerwirt”, em St. Johann am Wimberg, e o “Schloss Hochhaus”, em Vorchdorf, são locais muito procurados. Em Birkfeld, na Estíria, o “Gallbrunner” destaca-se pelo porco assado preparado na perfeição em forno a lenha.
Em Leogang, em Salzburgo, o “Kirchenwirt” representa há seis gerações uma cultura gastronómica de primeira classe. O “Steirereck am Pogusch”, da família Reitbauer, na Estíria, também se define como um restaurante tradicional e demonstra de forma impressionante a diversidade deste conceito. A lista poderia continuar por muito mais tempo, prova da abundância de excelentes restaurantes.

O ambiente acolhedor e a hospitalidade são muito importantes nos restaurantes tradicionais austríacos
A ajuda está a chegar
Cada vez mais iniciativas estão empenhadas em dar continuidade a esta tradição. Restauradores que oferecem pratos regionais e tradicionais podem receber apoio financeiro. Em Viena, a Câmara de Comércio está a lançar uma campanha de imagem para aumentar a sensibilização.
Noutras regiões, os próprios cidadãos intervêm, como em Hochneukirchen, na região de Bucklige Welt, na Baixa Áustria, onde foi fundada uma cooperativa para reabrir o antigo restaurante da aldeia, o “s’Hutwisch”. Os cidadãos puderam tornar-se acionistas por 150 euros e, pouco depois do lançamento da iniciativa, o restaurante foi reaberto com sucesso.
Menor, mas melhor, por favor
Há ainda outro desejo para os anfitriões contemporâneos: libertarem-se da pressão de servir grandes porções. Porções mais pequenas, no estilo tradicional, oferecem aos apreciadores de boa gastronomia a oportunidade de provar vários pratos ao longo de diferentes etapas da refeição, de forma semelhante ao fine dining. Isto corresponde a uma visão mais moderna e pode representar uma oportunidade no mercado.
Conclusão
A cultura das tabernas austríacas, confrontada com mudanças sociais e económicas, mantém a sua profunda importância para a identidade e a comunidade, apesar dos desafios. As iniciativas de preservação e de adaptação às necessidades modernas demonstram que esta tradição continua viva e que a sua continuidade é necessária. As tabernas permanecem centros indispensáveis de cultura e de convívio.
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